A via do Papa
Apesar do erro do batedor e da
tormentosa mobilidade urbana (muito em voga) nada atrapalhou a manifestação
carinhosa do povão pelo Santo
Padre.Tornou-se a mais espontânea e carinhosa
das que se tem notícia. Maneira brasileira de expressar um sentimento de
amor, calor e respeito. Apesar do montão de gente o Papa não levou nenhum
beliscão e toca-lo, purificou a alma de muitos brasileiros. Na recepção no
aeroporto o encantamento com o coral das
crianças. Apertos de mãos que quase sangravam ou eram o mesmo que as chagas de
Cristo, ardiam e doíam as mãos do visitante. Cada mão mais suja que a outra
mais corrupta que a de Judas. Nas ruas, já de Papa-movel (sem vidro à prova de balas),
sentiu-se em casa. Beijou
várias crianças para purificar outros beijos em faces ocultas e perniciosas. Já
no Palácio, apertou novamente as mãos e em cada aperto uma dor.Eis que surge um
anjo negro e lhe cumprimenta. No contato o Papa que vê e sente coisas que nós
mortais nem percebemos, (possui um canal diretamente com Ele), ouviu a voz
suprema dizer baixinho:”pelo menos existe um que presta”. Dormiu sossegado
naquela noite em plena floresta carioca cercado de milhões de seres que
desceram os morros para velar o seu sono: os bichos da Mata Atlântica. Enquanto
dormia o povão queria a cabeça de um malfeitor e a polícia reprimia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário